Quero aparecer, onde eu pago?

domino

Serviços de valor agregado comuns em sites como o Linkedin e o Flickr são a base do modelo de sustentação financeira, ou seja, caso os usuários optem por serviços diferenciados, devem pagar por isso. O Flickr permite que todos os seus usuários façam uploads de até 200 fotos por mês, enquanto no plano PRO, pago, esse limite deixa de existir. O Linkedin mantém uma proposta semelhante, nesse caso, o usuário Premium, também pagante, passa a ter acesso a serviços exclusivos.

Comunidades como o Orkut, Facebook ou Myspace têm a publicidade como drive principal na geração de caixa, embora as dificuldades já sejam conhecidas, - associação da publicidade institucional com as mídias geradas por usuários (UGM). O Facebook, por exemplo, já estimava para 2007 um faturamento de U$150 Mi, com lucro previsto de U$ 30 Mi.

A Badoo, comunidade com mais de 12 milhões de usuários, popular na America Latina, Espanha e Itália, renova o modelo de serviços com o “raise up”; - Funcionalidade que possibilita os usuários aumentar a sua própria audiência, quando adquirido, possibilita aos membros da comunidade passarem para o topo da lista de resultados de pesquisa – essa é a aposta da Badoo -. A estimativa é que esse serviço estimule o crescimento da base de usuários de 12 milhões para 150 milhões e, por conseqüência, seu faturamento.

Se pensarmos um pouco, faz sentido vender visibilidade em redes sociais. O varejo tradicional explora esse modelo há bastante tempo, ao vender os melhores espaços em suas gôndolas. Em sites como o Buscapé, isso também não é novidade, uma das suas fontes de receita é cobrar dos varejistas a melhor posição em seu resultado de busca.

Em todo caso, a Badoo é pioneira ao vender suas “gôndolas” para quem quer aparecer.

Modelo de receita baseada no ego.

Palco e platéia não faltam, comunidades são um prato cheio para os interessados em mostrar a cara. Antes de continuar, vou ser parcial: querer aparecer não é ruim, vejo com bons olhos a propagação de ideais sociais, ampliação de networking profissional. Nem tudo é só “look at me”.

Aparecer, ser aceito, fazer parte de grupos, ter amigos e ser reconhecido não é novidade. Necessidades “do ego” são, em parte, associadas à auto-estima (sucesso, confiança, preparo etc.); por outra parte, ligadas à reputação (respeito, prestígio, etc.). Essas obrigações sociais não nasceram na internet, embora funcionem bem juntas.

Ninguém quer ser mais um. Todos nós gostamos quando somos reconhecidos. Quem está disposto a pagar por isso?

Virar celebridade e estar perto delas.

Enquanto alguns pagam para se tornarem famosos, os que já conseguiram se tornar celebridades usufruem da sua fé publica. Ditam tendências de consumo e comportamento.

O poder de persuasão das celebridades orienta nosso estilo de vida. A Badoo, assim como o Myspace, pretende usar os perfis autênticos das celebridades para prosperar em países aonde eles não são fortes (como Estados Unidos, com apenas 200.000 usuários, e Inglaterra com 140.000).

Segredo do sucesso.

Uma comunidade precisa gente, muita gente. Para os que querem se relacionar e para os que querem aparecer. Se formos pragmáticos cobrar daqueles que fazem questão de ver seu rosto aparecer, parece fazer sentido.

Perigos dos enlatados

Assim como o jabá para as rádios, serviços dessa natureza podem violar nosso desejo pelo conteúdo autêntico. Nossa capacidade de julgar ainda será essencial para separar o bom do ruim, o falso do verdadeiro.

Publicado na WebInsider

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