
Nossa memória. Assunto fascinante. Já teorizei utilizando minhas experiências como base. Pesquisei sobre o assunto - mesmo que - sob um olhar curioso, sem nenhuma pretensão científica.
Não encaro a memória como algo mecânico. Muito pelo contrário. Deixando de lado fatos concretos, vinculo nossas lembranças mais ao coração do que a cabeça. Apesar dessa poesia ter um alicérce correto. É evidente, lembranças vinculadas a fortes emoções são mais fortes. ou seja, recordamos com facilidade momentos de extrema alegria ou tristeza. Perceba, somos capazes de recordar (como se fosse ontem) aquela cantada mal sucedida ou o primeiro beijo.
Artifícios emocionais sempre foram utilizadados pela publicidade. Funciona assim - causou emoção, fixou.
Sentimentos são o superbonder da comunicação. O apelo racional tem a sua importância. Claro. Mas o que gruda na cabeça é a musiquinha. Ela de certa forma emociona.
Vou pular tudo sobre curva de aprendizado. O que me fez refletir sobre esse assunto foi a matéria de capa da última super interessante, intitulada de “Memória por que esquecemos cada vez mais”. Após degustar e digerir toda a informação fiz um exercício. Transportei tudo que absorvi para o universo digital.
Antes de fazer a ponte entre a memória o universo digital, vou transcrever um trecho da matéria, para evidenciar o caminho do meu raciocínio.
“Esquecer faz parte de uma memória saudável”, afirma o neuro-cientista Ivan Izquierdo, diretor do centro de memória da PUC-RS e autor do livro A Arte de Esquecer. Até 99% das informações que vão para a memória somem alguns segundos depois. Isso é um mecanismo de de limpeza que ajuda a otimizar o trabalho do cérebro. Se tudo ficasse na cabeça para sempre, ele viraria um depósito de entulho. Isso nos tornaria incapazes de focar em qualquer coisa e atrapalharia bastante o dia-a-dia. Afinal, para que saber onde você estacionou o carro na semana passada? O importante é se lembrar de onde o deixou hoje de manhã. O esquecimento também e um trunfo da evolução.”
Agora, cá estamos nós, em frente aos nossos computadores e celulares. Em universo infinito (e em expansão) sendo bombardeados por novas informações. Como tornar a memorização relevante nesse meio? Como nossas marcas podem ganhar relevância nesse ambiente?
Veja, sou heavy-user. Meu Google Reader esta com mais de mil posts pendentes não lidos, participo de alguns fórums, atualizo meus dois blogues e meu twitter com certa frequência, sou cadastrado em muitas redes sociais.Não sou parâmetro. Talvez seja. Existem adolescentes que tem duas duas contas de MSN para suportar a quantidade excessiva de amigos. Como falar com eles? Como eu e eles vamos lembrar de você (marca)?
Não é para se assustar, não é para tentar mudar o rumo das coisas. É tempo de contextualizar. Note, só da certo na internet o que segue as regras (que os próprios usuários criam e mudam) do meio. Existe uma pitada do que conhecemos até então sobre memorização e fixação. Aposto que existem muitos fiascos (que nem tomamos conhecimento) pela má utilização da comunicação.
Então como fazer? Recorrer a regras? De forma alguma. A primeira regra é não siga nenhuma regra. Pois nenhuma regra é genérica suficiente para abranger todas as variáveis.
Então o que fazer? Como não sou pedante, não faço regras, conselhos talvez. Minha sugestão é seja contextual. Ao tentar falar com seus consumidores em redes sociais, por exemplo, não queira que a sua informação sobressaia ás demais. Seja relevante.
Veja a imagem que ilustra esse post. Eu duvido que que a @anturia se esqueça do @camiseteria. Isso é um exemplo de mensagem pertinente ao meio. A conversa segue a abordagem correta. Não intrusiva. Nesse caso a marca conversa literalmente com o consumidor.
Não tem jeito, não há outra saida. Se não houver relevância esquece. A marca não será lembrada.
Okay, (considero que) passamos pela relevância. Agora, onde entra a emoção. Será que não cabe emoção na internet? Seja talvez pela forma que consumimos informação, nesse meio? Será por que somos mais ativos do que receptivos quando estamos em frente ao computador ?
Sim. É possível gerar emoção. Mas é necessária a co-autoria dos outros participantes. Dos seus amigos. Uma réplica de um comercial de TV publicado em um site tem ZERO de aderência. Niguém lembra do último comercial de carro que viu no youtube. Mas todo mundo já sabe quem é Susan Boyle sucesso instantâneo, seu vídeo recebeu mais de duas milhões de visualizações em apenas dois dias. Claro, a regra de que confiamos mais em nossos amigos do que nas marcas, também vale para o conteúdo.
Isso não significa que temos que olhar apenas para as redes sociais. A publicidade Display ainda faz sentido (e muito). Já mataram o Banner milhares de vezes em milhares de posts. Tem frases de efeito como - Banner não constrói marca. Sim verdade, banner não constrói marca, nem tanto outdoor. Quem constrói marca é estratégia aliada a uma boa criação. Se você não é varejista e não compra abrangência. Compre amplitude e compre contexto. Quando criar decida. Quer ser lembrado ou quer ser clicado. Parece bobagem. Mas muitas vezes só o clique é levado em conta e não a qualidade do mesmo. Mídia adora comprar espaço na home dos portais. O meu voto é compre mais canais internos.
Agora para fechar a minha provocação pergunto. Link patrocinado pode ser usado como recurso de Branding? Ou seja, para memorização de marca. Eu arrisco dizer. Dentro do contexto Google, não. Após o clique sim. No google capte o clique. Na página de pouso (landing page) construa a marca.
